“Tipos de Gentileza”: Emma Stone e Willem Dafoe se reúnem novamente em filme de antologia de Yorgos Lanthimos | 2024

Yorgos Lanthimos é sinônimo de “cinema autoral”. O diretor e roteirista grego conseguiu inserir suas ideias ousadas e não ortodoxas no jet set do cinema comercial mundialmente, alcançando o feito não só de ter seus filmes disponibilizados nos multiplex de cinema pelo mundo, mas também por conseguir flertar com Line ups de Premiações de cinema que vão do Oscar até o Festival de Cannes. É um verdadeiro equilíbrio entre o cinema de arte com um relativo sucesso comercial. “Pobres Criaturas” (2023), por exemplo, teve orçamento de 35 milhões de dólares e acabou arrecadando 117.625 milhões mundialmente, além de seus 4 Oscars.
Após o sucesso da temporada de premiação passada, Lanthimos conseguiu lançar logo em seguida “Tipos de Gentileza” (2024), seu mais novo Longa Metragem que teve lançamento oficial no Festival de Cannes e que laureou Jesse Plemons com o prêmio de melhor ator pelo filme. O reconhecimento é merecidíssimo, Plemons está numa fase extremamente produtiva da sua carreira, tendo sua breve participação em “Guerra Civil” (2024) super elogiada e agora a possibilidade de exercitar seu talento com três personagens distintos em histórias independentes.
“Tipos de Gentileza” é aquele tipo de filme de antologia: são três filmes em um com o mesmo elenco interpretando personagens diferentes com uma possível conexão ao final da narrativa. Nas duas primeiras, Plemons vive figuras perturbadas pelo contexto em que estão inseridas. Na primeira, ele é Robert, um homem que tenta tomar as rédeas de sua vida ao ter seu cotidiano controlado pelo seu chefe, que o obriga inclusive a matar um homem; já na segunda, ele é um policial que estranha a personalidade de sua esposa após esta ter sido resgatada de um acidente no mar em que a forçou a viver em uma ilha deserta por semanas. A terceira história é focada na personagem de Emma Stone, Emily, definida como uma mulher em busca de uma pessoa com habilidades sobrenaturais. Nenhuma das storylines são convencionais e as premissas requerem do público um nível de aceitação daqueles contextos absurdos que pode perder o público mais tradicional. “Tipos de Gentileza” é uma escolha arriscada na filmografia do diretor, é uma veia mais próxima de filmes como “O Lagosta” (2015) ou “Dente Canino” (2009). Quem gosta dessas obras, vai se sentir em casa com esta amálgama de contos perturbadores.
O elenco é o ponto alto do Longa, reunindo, além de Plemons e Stone, Willem Dafoe, Margaret Qualley, Hong Chau, Mamoudou Athie, Joe Alwyn e Hunter Schafer. O único personagem que atravessa as três narrativas é RMF, interpretado por Yorgos Stefanakos, e que terá um significado importante na estrutura narrativa do filme.
Como de praxe na filmografia de Lanthimos, esta obra toca em temas controversos que vão desde cultos sexuais, estupro, canibalismo e violência gratuita, tudo filmado de forma explícita e com a lente da câmera praticamente dissecando o ato em sí. Em termos musicais, o filme é todo pontuado por acordes de um piano e coral dramático que reforça o desconforto e inquietação dos personagens na tela, trabalho do Compositor de “Pobres Criaturas”, Jerskin Fendrix. Claro que há também momentos específicos em que o hit poderoso do Eurythmics, “Sweet Dreams (Are Made of This)”, ecoa na abertura do primeiro capítulo, ou o número final de dança desengonçada de Emma Stone ao som de “Brand new bitch”, da cantora sueca Cobrah.
Em linhas gerais, as histórias oscilam em termos de consistência de roteiro, tendo narrativas que são mais robustas e satisfatórias do que outras. No entanto, a experiência como um todo do longa pode ser familiar e prazerosa para fãs raiz de Lanthimos e extenuante para o público aventureiro que foi fisgado no passado por “Pobres Criaturas” ou “A Favorita” (2018).