“Meu Verão com Glória”: longa francês traz história de afeto e despedidas inesquecíveis | 2025

Alguns filmes têm a capacidade de dizer muitas coisas apenas com a força das imagens. Contemplativos, costuma-se dizer. “Meu verão com Glória”, longa francês da premiada diretora Marie Amachukeli é um tocante drama que se vale do afeto para demonstrar que as relações humanas não se deixam limitar por diferenças culturais e realidades sociais marcadas por profundas desigualdades.
Cléo tem seis anos e é completamente apaixonada por Glória, sua babá, que a cria desde seu nascimento. Após uma perda familiar, Glória precisa voltar para Cabo Verde, sua terra natal, e cuidar de seus filhos. Cléo insiste em uma promessa: que as duas iriam se reencontrar o mais brevemente possível. A babá, então, a convida para conhecer seu país, onde passam o verão juntas como forma de despedida.
Com uma bela trama, retratando de forma poética a relação de uma criança com sua babá, o filme também traz outras camadas que nos levam a refletir sobre o drama de mulheres que se veem obrigadas a renunciar a criação de seus filhos para cuidar dos filhos de outras famílias.
A jornada pela busca de uma vida melhor para si e seus familiares em um país distante e desenvolvido também revela a complexidade de lidar com sentimentos e ressentimentos daqueles que ficam, e que são afetados pelo drama das imigrações e das desigualdades econômicas. Apesar do peso emocional que envolve essas questões, a história é retratada de maneira carinhosa, porém repleta de melancolia, que nos aperta o coração.
Louise Mauroy-Panzani como Cléo e Ilça Moreno Zego vivendo Glória entregam uma atuação emocional, acompanhada de uma fotografia poética, que com o uso do plano-detalhe nos faz íntimos da relação entre a criança e a sua babá. “Meu verão com Glória” é resultado do talento de uma sensível diretora, da sintonia quase perfeita das atuações e do apelo universal de uma bela história.
