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“Bridget Jones: Louca pelo Garoto”: novo filme da heroína romântica é melancólico mas não deixa o humor de lado | 2025

E lá se vão quase vinte e cinco anos desde que fomos apresentados a Bridget Jones, uma mulher como qualquer outra, às voltas com dilemas próprios de sua idade, como carreira e aspirações amorosas. A personagem tão docemente construída por Renée Zellweger foi crescendo com o passar dessas duas décadas, se consolidou como profissional e também formou família. Mrs Jones é como se fosse uma pessoa querida próxima, que acompanhamos e torcemos pra que as coisas deem certo pra ela. A nova incursão dessa adorável heroína romântica inglesa, “Bridget Jones: Louca pelo Garoto”, tem em seu título a tradução mais simplória possível acerca de seu novo estado de espírito, mas não deixa de ser interessante essa contradição, já que estamos falando de uma mulher que ainda que esteja madura, do alto dos seus cinquenta anos, está suscetível a sentimentos contraditórios e conflitantes, assim como qualquer ser humano normal.

Nesse novo filme, Bridget (Zellweger) está vivendo o luto depois que seu marido Mark (Colin Firth) é morto em uma missão humanitária no Sudão. Quatro anos se passaram e Bridget passa os dias cuidando de seus dois filhos Billy, de 9 anos, e Mabel, de 4 anos. Vivendo nesse limbo entre o luto e a vontade de seguir em frente, Bridget, ainda que relutante, cogita  em voltar a namorar, encorajada por seus amigos fiéis, sua ginecologista Dra. Rawlings (Emma Thompson) e até mesmo seu antigo amor, e agora amigo e confidente, Daniel Cleaver (Hugh Grant). De volta na pista, Bridget entra em aplicativos de namoro e precisa conciliar a volta ao trabalho, vida amorosa e obrigações domésticas e maternas, enquanto também enfrenta a legião de mães perfeitas da escola, lida com a saudade que Billy sente do pai , além de se permitir conhecer melhor o novo professor de ciências das crianças Mr. Wallaker (Chiwetel Ejiofor).

Bridget continua com suas inseguranças, medos e ainda mantém o velho hábito de “pensar alto” (a velha narração em off já conhecida da personagem), mas a maturidade trouxe novidades: a temperança e o talento para administrar emergências e expectativas frustradas. Em sua quarta aventura nas telas e uma extensa vida de reinvenções e perdas, nossa heroína agora se impõe diante das adversidades, mas sem abandonar sua humanidade e doçura, características que aprendemos a admirar na personagem.

A direção de Michael Morris (do excelente “To Leslie” – 2022), a exemplo de seu projeto anterior, reafirma seu dom para trabalhar histórias femininas sóbrias, cujos desafios são temperos e motivações que levam essas mulheres para frente. Claro, Leslie e Mrs Jones tem vertentes  e índoles muito diferentes, mas exalam o poder e a independência que só a maturidade traz. “Bridget Jones: Louca pelo Garoto”, com um título que entrega muito pouco sobre essa nova nova mulher, é também um filme que quebra paradigmas e tabus, mas mantém o espírito que consagrou a franquia: o romance puro e simples. É bem verdade que nem tudo funciona de forma coesa no roteiro feito a duas mãos feito por Helen Fielding e  Abi Morgan, como algumas proposições ou mesmo pelo tom do humor com em relação às buscas amorosas de Mrs Jones, contudo, é nítido o esforço em nos apresentar uma nova fase dessa trajetória e é o que faz desse novo projeto tão atraente para todos os públicos.

Rogério Machado

Designer e cinéfilo de plantão. Amante da arte e da expressão. Defensor das boas causas e do amor acima de tudo. Penso e vivo cinema 24 horas por dia. Fundador do Papo de Cinemateca e viciado em amendoim.

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