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“Better Man – A História de Robbie Williams”: cinebio de Robbie Williams é viagem emocional às origens do astro pop | 2025

O Reino Unido não produz grandes ídolos com a mesma velocidade da América. Depois da febre dos Beatles, da genialidade de Bowie e do carisma de Elton John, consigo me lembrar de George Michael, Eric Clapton e mais recentemente Sam Smith e Harry Styles. Poucas vozes, sobretudo masculinas, chegam ao topo como Robbie Williams chegou, e que hoje é considerado um do grandes astros pop nas terras da saudosa Rainha Elizabeth.

Robbie iniciou sua carreira como membro de uma nova aposta britânica entre as Boys Band que na época já pipocavam nos EUA, mas foi em carreira solo onde o cantor alcançou êxito. Em 2002 assinou aquele que veio a ser o maior contrato fonográfico da história da música britânica até então, recebendo 80 milhões de libras esterlinas da gravadora EMI.  Ao longo de sua carreira, Robbie Williams já vendeu mais de 75 milhões de álbuns, alguns dos quais figuram entre os 100 mais vendidos da história do Reino Unido, onde liderou o ranking de artistas mais tocados entre os anos 2000-2010. Em 2022, tornou-se o artista solo com mais discos a alcançar o topo das paradas britânicas (quatorze, no total), superando a marca de Elvis Presley.

É Michael Gracey (“O Rei do Show” – 2017) o responsável por dar personalidade à cinebiografia de Robbie, que traz um formato de musical ao seguir a vida íntima e carreira do astro. Ascensão, queda e a ressurreição inesperada do cantor, se misturam em um formato super inovador, a começar por retratar Robbie como um macaco. Através dos altos e baixos da fama, inspirado na vida de Williams e na percepção que ele tem de si próprio, o longa é repleto de versões reinventadas dos êxitos musicais e das performances icónicas do cantor, com números espetaculares e efeitos visuais deslumbrantes que conquistam até os menos afeitos a musicais.

A escolha de representar Rob como um chipanzé foi um acordo entre diretor, que assim  tiraria seu projeto do lugar comum, e o cantor, que afirma que se fosse um animal seria uma ‘macaco atrevido’. Dado ao comportamento nada convencional da estrela, essa proposta, sobretudo pra quem acompanha a carreira de Robbie, vem a se tornar muito natural. Sua irreverência, assim como todos os percalços no caminho, confirmam que essa ideia, que a princípio pode parecer só uma escolha criativa, se torna providencial ao abraçar a personalidade multifacetada do astro. Ver o macaco – que debaixo dos efeitos especiais é interpretado pelo ator Jonno Davies – é como se estivéssemos vendo a persona de Rob, com todos seus medos, inseguranças e demônios que o atormentavam. O primata é parte dele, mas também é seu algoz, seu inimigo íntimo.

O relacionamento atribulado com o pai, o amor pela avó (esse ilustrado por uma emocionante sequência embalada pelo hit “Angels”, de 1997 )  e a mãe, sua vida amorosa e até a rivalidade com os irmãos Gallagher, da banda Oasis, são abordados na narrativa conduzida por Gracey. “Better Man – A História de Robbie Williams” tem uma assinatura única, que dificilmente será superada por seu realizador. O longa de Gracey é de vanguarda, mas guarda o charme e a grandiosidade dos clássicos musicais da Era de Ouro de Hollywood. Seu desenrolar é dinâmico, diverte e emociona na mesma medida, e esses são alguns dos muitos atributos dessa produção que deverá agradar mesmo a quem não acompanha a carreira de Robbie Williams.

Rogério Machado

Designer e cinéfilo de plantão. Amante da arte e da expressão. Defensor das boas causas e do amor acima de tudo. Penso e vivo cinema 24 horas por dia. Fundador do Papo de Cinemateca e viciado em amendoim.

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