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“The Alto Knights: Máfia e Poder”: produção revisita clichês da máfia e aposta no retorno de um ícone | 2025

Robert De Niro é, sem dúvida, um dos maiores atores em atividade, e poucos ousariam excluí-lo de qualquer lista dos mais importantes da história do cinema. Com uma filmografia extensa e versátil, seus momentos mais marcantes vieram na pele de personagens controversos, muitos deles chefões da máfia. Entre os destaques estão Vito Corleone em “O Poderoso Chefão: Parte II” (1974), David “Noodles” em “Era uma Vez na América” (1984), Al Capone em “Os Intocáveis” (1987), Jimmy Conway em “Os Bons Companheiros” (1990), Sam “Ace” Rothstein em “Cassino” (1995) e Frank Sheeran em “O Irlandês” (2019). A lista é extensa e trazer De Niro de volta a esse território certamente desperta interesse.

No entanto, se por um lado a presença de uma figura tão emblemática é um dos grandes trunfos da produção, por outro, evidencia também suas limitações. Há um padrão recorrente em seus filmes mais consagrados no gênero: todos foram dirigidos por nomes que redefiniram o cinema em suas épocas — Scorsese, Coppola, Brian De Palma e Sergio Leone. Embora Barry Levinson conduza “Máfia e Poder” com competência, sua direção carece de apuro estético e narrativo desses gigantes que vieram muito antes dele. As duas versões de De Niro funcionam mais como ecos de personagens que ele já interpretou no passado. A familiaridade com seus trejeitos, entonações e posturas acaba acentuando a sensação de déjà vu. A comparação torna inevitável que por trás da bela embalagem, o que se entrega ao público é um conteúdo reciclado.

Ambientado na Nova York dos anos 1950, o filme acompanha Vito Genovese e Frank Costello, dois chefes da máfia ítalo-americana interpretados por Robert De Niro. Antigos amigos de infância, seguem caminhos opostos na vida adulta: enquanto Costello adota uma postura diplomática e discreta, Genovese é impulsivo e sedento por poder. As diferenças entre eles os conduzem a uma inevitável rota de colisão, culminando em uma tensa tentativa de assassinato que mudará para sempre a dinâmica do submundo do crime.

Baseado em fatos, o filme se apoia em uma estrutura simples, conduzida pela narração do próprio Frank já em idade avançada. Essa escolha antecipa parte do desfecho e, embora sacrifique certa dose de tensão, afinal, o espectador já tem uma boa ideia do que está por vir, permite que o foco se desloque do ‘o que’ para o ‘como’ os eventos se desenrolam. O início, no entanto, soa apressado. A parceria entre Frank e Vito é sugerida por breves flashbacks da infância e por acontecimentos rapidamente esboçados antes da primeira cena marcante: uma tentativa de assassinato. O ritmo melhora à medida que as peças se posicionam no tabuleiro das disputas de poder, mas qualquer senso de afeto ou cumplicidade entre os dois protagonistas é diluído pela superficialidade com que essa relação é construída no início. O centro da narrativa é Frank, e não é coincidência que, entre os dois, ele seja o menos modificado por maquiagem. De Niro é mais facilmente reconhecível em sua pele, e há nisso uma escolha deliberada: facilitar a identificação do público com seu personagem, canalizando a empatia para seu ponto de vista.

No fim das contas, “Máfia e Poder” entrega De Niro em dose dupla, mas intensidade pela metade. O que poderia ser uma celebração acaba soando mais uma reverência ao passado sem fôlego para dizer algo novo. Há ecos, reflexos e gestos que reconhecemos, mas talvez o que falte aqui seja uma direção menos dependente da memória. Um filme que se dobra ao passado sem encontrar voz própria corre o risco de se tornar apenas sombra, mesmo quando estrelado por quem sempre teve luz própria.

Rafa Ferraz

Engenheiro de profissão e cinéfilo de nascimento. Apaixonado por literatura e filosofia, criei o perfil ‘Isso Não é Uma Critica’ para compartilhar esse sentimento maravilhoso que é pensar o cinema e tudo que ele proporciona.

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