“The Eletric State”: novo longa da Netflix trás Millie Bobby Brown em superprodução com efeitos visuais grandiosos l 2025

Os irmãos Russo sempre souberam dosar bem o drama e o humor. A marca da dupla ficou conhecida em “Community” (2009-2015), a elogiada siticom produzida pela NBC, que chamava a atenção pela criatividade do roteiro e pelo cuidado na construção das cenas. A série também ganhou fama por fazer referências e tirar sarro da cultura pop. O talento dos irmãos despertou o interesse da indústria e rapidamente eles foram contratados para ficar à frente de grandes produções do Marvel Cinematic Universe (MCU), qualificando-os para trabalhar em filmes com orçamentos milionários .
Com essas credenciais, não demoraria muito tempo para que o maior serviço de streaming do mundo tivesse em seu catálogo um filme dirigido pelos irmãos Russo e despejasse um caminhão de dinheiro para a sua produção. “The Eletric State”, o mais novo longa produzido pela Netflix, teve impressionantes US$ 320 milhões ( cerca de R$ 1 bilhão) de orçamento, e trás um elenco estrelado que conta com Millie Bobby Brown, Chris Pratt e Giancarlo Esposito.
O filme é uma espécie de ficção científica aventuresca, que tem como público alvo adolescentes e jovens adultos, e aposta todas as fichas na fan base da estrela de “Stranger Things”.
A história se passa numa realidade alternativa e retro futurista na qual robôs conscientes convivem com humanos. Na trama, acompanhamos a jornada de Michelle (Millie Bobby Brown), uma adolescente órfã que, um dia, recebe a visita de Cosmo, um meigo e misterioso robô, que acredita estar sendo controlado por Christopher, seu irmão mais novo considerado morto. Determinada em saber a verdade sobre o irmão, Michelle parte em uma jornada pelo oeste americano na companhia do contrabandista Keat (Chris Pratt) e seu robô parceiro e sarcástico Herman.
Com efeitos visuais de alta qualidade – talvez tenha sido aí o maior gasto da produção -, o filme não mantém, nos demais aspectos, o mesmo apuro técnico. O roteiro, por misturar, sem critério, elementos de aventura fantástica, western, drama e comédia, soa perdido, prejudicando o próprio desenvolvimento dos personagens. Isso se reflete nos diálogos, pueris e por vezes excessivamente expositivos, sem espaços para subtextos ou qualquer outra sofisticação mais sútil. Nem mesmo o carisma de Crhis Pratt salva, muito prejudicado pela construção de um personagem superficial e caricato, que sofre com piadas pouco inspiradas.
Millie Bobby Brown, na pele da protagonista, também pouco convence. Embora haja certa química com Chris Pratt, a relação entre os dois parece travada – prejudicada pelo texto fraco do roteiro – , que, em certos momentos, fazem lembrar aquelas atuações novelescas, repletas de canastrices.
Talvez o ponto alto do filme sejam as tiradas sarcásticas de Herman, o robô escudeiro de keat. A veia cômica do longa fica por sua conta. Mesmo sendo constituído de puro efeito de computação, quando está em cena, relacionando-se com atores reais, é, contraditoriamente, o mais próximo de calor humano que vemos ao longo da trama.
A batalha final entre robôs e humanóides, por outro lado, merece elogios, sobretudo pela qualidade dos efeitos visuais, todos com uma grandiosidade que nos faz pensar como a tecnologia atingiu níveis extraordinários e, quando bem utilizados, pode elevar a indústria do cinema a limites inimagináveis. Ainda que os defeitos de “The Eletric State” sejam notórios, à garotada que estava sentido falta de assistir Millie Bobby Brown nas telas vale a pena conferir, mesmo que sem maiores pretensões.