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“Meu Sangue Ferve Por Você”: Filme reimagina história de amor entre Sidney Magal e sua eterna namorada Magali West | 2024

Se tem um artista brasileiro que desde sempre foi único, esse artista foi Sidney Magal. O chamado ‘amante latino’ não tinha concorrentes. Sua digital singular tanto na música quanto na marcante e sensual dança, sequer conseguiu ser imitada por ninguém. Ninguém mais ousou ir tão longe, até porque carisma e talento para encarar uma persona assim não alcança a qualquer um. Depois de estrear no início do ano passado “Me Chama Que Eu Vou”, um doc sobre sua trajetória, é a hora e a vez de Magal ganhar uma espécie de filme celebração sobre o grande amor de sua vida.

“Meu Sangue Ferve Por Você” , sob a direção do paulista Paulo Machline (“O Filho Eterno” – 2016), conta a trajetória do homem por trás desse ídolo, através de uma história de paixão à primeira vista pela baiana Magali West , iniciada em 1982, numa troca de olhares em um concurso de beleza em Salvador, entre Magal (Filipe Bragança), que na ocasião já estava no topo das paradas, e uma bela Magali (Giovana Cordeiro), que era criada com algum rigor pela mãe, Graça (Emanuelle Araújo). Encontros e desencontros, um quase casamento que não acontece, a diferença de idade e uma família preocupada com as intenções reais do cantor que culminaram em um pedido de casamento inusitado e emocionante, estão entre os percalços dessa história de amor que já dura 33 anos.

O primeiro grande acerto do projeto é a roupagem musical que o longa recebe. Sem ser exatamente um musical, mas ao mesmo tempo bebendo dessas fontes, o filme tem algumas intervenções musicais (com músicas do próprio Magal, além de Roberto Carlos e Orlando Silva) que são o pulo do gato, tanto porque estabelecem conexões com o roteiro e a trajetória dos personagens em cena, quanto pelas versões adotadas, que modernizam os clássicos sem descaracterizá-los. Essas liberdades criativas são o que o filme tem de melhor.

A relação de Magal com seu empresário abusivo, Jean Pierre, (que não sabemos se é romanceada ou não, já que ambos, o personagem vivido brilhantemente por Caco Ciocler e Roberto Livi, o homem que lançou Magal, são argentinos) é amplamente explorada e culmina em uma sequência incrível com Ciocler, que sinceramente, mesmo sabendo do talento do ator, me surpreendeu. Aliás, o time escalado é deveras entrosado e nos conecta ainda mais com a trama, seja no drama ou nas sequências de humor. E não poderia terminar sem falar do talento de Bragança em encarnar a porção cigana do cantor, em uma performance magnética e sensualíssima.

“Meu Sangue Ferve Por Você” passou pela Première Brasil: Hors Concours Longa-Metragem do Festival do Rio, esteve na Mostra SP e finalmente chega ao circuito exibidor.

Rogério Machado

Designer e cinéfilo de plantão. Amante da arte e da expressão. Defensor das boas causas e do amor acima de tudo. Penso e vivo cinema 24 horas por dia. Fundador do Papo de Cinemateca e viciado em amendoim.

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