“Sonic 3”: Objetivo e descomplicado, filme é colírio aos olhos dos fãs – novos e veteranos | 2024
Não existe fantasminha camarada

Não tem como esquecer o risco cinematográfico que foi adaptar Sonic às telonas. Quando o queridíssimo personagem dos jogos foi revelado pela primeira vez, com sua versão humanoide de feições débeis, houve manifestações de repulsa e chacota dominando os assuntos mais comentados da Internet. E agora, alguns anos depois daquele momento embaraçoso e da correção estética feita pelos realizadores, eis que se dá o terceiro capítulo dessa franquia que se provou um enorme sucesso de público, crítica e bilheteria.
Seguindo a fórmula do sucesso dos anteriores, o roteiro se constrói recheado de piadinhas para crianças e referências populares para adultos. Há uma belíssima referência a “Akira” (1988) que, confesso, conseguiu me arrepiar. Com isso, o filme adere a todas as facilitações e convenções que se colocam à sua disposição sem medo ou vergonha de se assumir simplista, e a dosagem é tão exata que consegue o feito de deixar o resultado nem tão bobo para que seja puramente infantil e nem tão cafona para que caia nos arquétipos da galhofa. É uma diversão para crianças, jovens e adultos que encanta por ser tão fácil e automático quanto respirar.
A versão dublada, que traz as vozes oficiais de Idris Elba e Keanu Reeves como Knuckles e Shadow, respectivamente, tem algumas boas referências além do roteiro original que fazem valer a assistida nessa versão. E é o visual, contudo, que ganha um refinamento ainda maior e remete, em várias cenas, aos modelos clássicos dos jogos que a minha geração (a 30+) cresceu jogando em televisores de tubo. “Sonic 3” é um ótimo ponto de encontro para gerações cada vez mais dissonantes, e apreciar um filme tão simples enchendo o cinema e arrancando risos e interjeições generalizadas é um evento muito prazeroso para se desligar do mundo real por uma hora e meia e abraçar uma boa nostalgia.
Jim Carrey, como sempre, rouba a cena e eleva o nível da produção. Muito do sucesso da até então trilogia se deve a ele, que consegue imprimir carisma ao vilão Robotnik e aqui ainda aparece em dobradinha na tela. A agora Equipe Sonic se estabelece como um marco para a geração que cresce atualmente e vem descobrindo os encantos do cinema, e esses filmes serão lembrados por muito tempo no imaginário popular – seja pelas referências saudosistas ou pela volta por cima após a aberração que foi o Sonic feio. Que venham mais filmes assim, que unem gerações e apresentam a sétima arte para uma nova legião de cinéfilos.