“Sofia Foi”: Documentário acompanha tatuadora em jornada de dor | 2024

Sofia é uma tatuadora que está numa má fase da vida: ela perdeu sua namorada repentinamente e foi despejada da casa do amigo. Sem grana e sem ter onde ficar, ela pega sua mochila e seus instrumentos de trabalho e vai até o campus da USP ( Universidade de São Paulo). Mas dessa vez Sofia não vai para estudar, nesse dia ela faz algumas tatuagens pra ganhar uns trocados e por lá fica vagando de festa em festa, relembrando seus infortúnios e mergulhando nas feridas emocionais que parecem não ter fim.
“Sofia Foi” é um longa independente dirigido por Pedro Geraldo que mistura ficção e realidade nessas horas de agonia e de flashbacks da personagem do título. A narrativa tem 70 minutos que beiram o tédio, pois o diretor não consegue cativar o público criando uma mínima expectativa sobre o que irá acontecer a seguir com a protagonista, muito menos gerar empatia por ela.
A crise pessoal de Sofia não comove, talvez pelo fato dela viver com o modo “catatônica” ativado, não importa o que aconteça ela está como que anestesiada por tantas desgraças; roubam seu celular e está tudo bem, se fica ou se vai também tanto faz, pois internamente parece que seu mundo acabou. Sofia Tomic não muda a expressão do rosto nem na (pouca) alegria nem na tristeza – se sua atuação tivesse sido um pouco mais empenhada em mostrar algum sentimento, a narrativa teria mudado por completo, visto que ela é seu eixo.
As imagens são desfocadas e o áudio incompreensível se não houvesse legenda. Curiosamente há tomadas longas, de quase 1 minuto, sobre objetos inanimados, como uma cadeira, uma rocha ou uma parede velha, a impressão é que alguém apertou o “pause” no filme – não há beleza muito menos propósito nessas imagens. A falta de qualidade nesses quesitos parecem uma tentativa do diretor de ser “minimalista” na filmagem. O cenário no campus da USP é sujo e decadente, se mostrando eficaz em traduzir o vazio interno e a decadência da vida de Sofia, e sua busca por se encaixar novamente na sociedade, por tomar um rumo digno e quem sabe sair do fundo do poço.
Não enxerguei tantos méritos em “Sofia Foi” para ao menos defendê-lo minimamente ou que justificasse o prêmio de Melhor Filme de Diretor Estreante que o trabalho ganhou no Festival de Marseille em 2023.