“Parthenope: Os Amantes de Nápoles”: novo filme de Paolo Sorrentino é deleite visual com um mosaico de personagens excêntricos l 2025

Diretor e roteirista renomado mundialmente, Paolo Sorrentino conquistou o mundo e o Oscar com “A Grande Beleza” (2013). De lá para cá, fez o simpático “A Mão de Deus” (2021) e a minissérie estilizada da HBO com Jude Law, “The Young Pope” (2016)/“The New Pope” (2020). Eis que chega agora, no Brasil, com sua mais nova obra, “Parthenope: Os Amantes de Nápoles” (2024). É uma ode visual à Nápoles que encontra na atriz estonteante Celeste Della Porta sua protagonista, responsável por tirar o fôlego dos homens da cidade, evocando o simbolismo da mitologia grega.
Segundo a história, Parthenope foi uma sereia que teria fundado a cidade que hoje é Nápoles e, com seu canto, teria enfeitiçado marinheiros atraindo-os para sua perdição. Apenas Ulisses não teria caído sob os feitiços de sua voz, o que a teria feito tirar a própria vida ao se jogar no mar no local onde agora encontra-se Nápoles.
A Parthenope do filme ganha destaque sob a lente de Sorrentino que explora com sensualidade a figura feminina da atriz Celeste Della Porta, que sabe muito bem gerar o frisson que causa nos homens e mulheres ao seu redor. Ela se vê envolta em um triângulo amoroso ao se relacionar com seu primeiro amor, Sandrino (Dario Aita), o filho da governanta de sua família, e seu irmão, Raimondo (Daniele Rienzo), um jovem emocionalmente instável e ciumento. Outros homens também sofrem os efeitos que Parthenope causa naquela comunidade, seja um cardeal que anseia virar Papa ou um milionário que insiste em cortejá-la a bordo de um helicóptero que sobrevoa a cidade.
Parthenope tambem admira um autor de livros chamado John Cheever, aqui interpretado por Gary Oldman, e o encontra durante sua visita a Capri. Cheever também se encanta pela garota, porém a poupa de qualquer relação sexual ou conexão emocional com ele ao proclamar: ‘Eu não quero que você gaste um minuto da sua juventude comigo”. É uma participação pequena incluída no roteiro após Sorrentino descobrir que um dos sonhos de Oldman era trabalhar com ele.
Curiosamente, Sorrentino explora sua veia cômica e debochada quando entram em cena uma coaching de atuação que teve seu rosto deformado por um cirurgião plástico brasileiro (!), a bizarra Flora Malva (Isabella Ferrari), e a atriz e diva napolitana Greta Cool (Luisa Ranieri). Esta sessão inteira do roteiro muda o tom da narrativa para cenas que ou causam constrangimento ou provocam risadas involuntárias no público, como quando Greta detona publicamente uma estátua abstrata artística construída em sua homenagem em Nápoles ou quando agride um senhor de estatura baixa em um de seus escândalos.
A protagonista também dá vazão a sua veia acadêmica ao desistir de ser atriz e decidir focar na Antropologia, criando um vínculo de profunda admiração e dedicação pelo professor Devoto Marotta, interpretado pelo ator Silvio Orlando. Marotta se torna seu mentor e a projeta na Universidade em que leciona.
Com uma boa porção de altos e baixos no roteiro, ‘Parthenope” se beneficia mais do talentoso elenco e excêntrico pool de personagens do que da narrativa propriamente dita. A colaboração habitual de Sorrentino com a diretora de Fotografia, Daria D’Antonio, também é um dos pontos altos do filme, que ostenta uma Fotografia de tirar o fôlego ao explorar as belezas naturais do golfo de Nápoles. Além disso, o figurinista Carlo Poggiolia eleva o visual do filme com os figurinos marcantes com selo Yves Saint Laurent ao equilibrar com a moda a atemporalidade e a sofisticação das peças em cena.
O novo filme de Sorrentino pode ser divisivo e não agradar a todo mundo, mas sem dúvida imprime as habituais características de seu cinema ao passear pelo drama e humor, muitas vezes chocando, sensibilizando ou simplesmente debochando com seus personagens. Visualmente, é um deleite e a atriz Celeste Della Porta derrete a tela com sua presença hipnotizante e sensualidade acachapante, elementos fundamentais para fazer sua Parthenope uma verdadeira deusa nesta saga tragi-cômica.