“Os Radley”: terror aborda segredo familiar sombrio e questões existenciais l 2025

À primeira vista a família Radley é aquela típica família perfeita de comercial de margarina: Peter é o pai, um médico renomado, Helen a mãe dona-de-casa que vive para família e o casal de filhos Clara e Rowan, adolescentes com os probleminhas normais da idade. Porém, logo nas primeiras sequências de “Os Radley, depois que Clara sofre uma tentativa de estupro e mata o agressor sugando seu sangue, descobrimos o grande segredo da família Radley: eles são vampiros e escondem isso até dos filhos se disfarçando de cidadãos comuns. Estamos diante de uma família de vampiros “abstêmios”, que escolheram não beber mais sangue e não matar ninguém apesar de ter o instinto e desejo de fazê-lo.
A premissa do longa é ótima e daria margem a uma boa história, porém mal desenvolvida numa narrativa confusa e que não mergulha nos pontos mais interessantes, entediando mais do que divertindo o espectador.
O elenco é competente, porém o roteiro os coloca em cenas em sua maioria vexaminosas. Damien Lewis (da premiada série “Homeland”) é o médico Peter, cidadão e pai de família que vive num casamento morno e reprimindo sua sede por sangue, até que um dia é obrigado a chamar seu irmão Will, um vampiro “tradicional” (também interpretado por ele), para resolver um problema, é a partir daí que a vida de todos vira de pernas pro ar. Kelly McDonald ( da série de sucesso “Boardwalk Empire”) é a mãe Helen , esposa devotada e também infeliz por tentar viver de acordo com as regras “humanas”.
O personagem mais interessante é o filho Rowan, que ocupa boa parte da narrativa com suas angústias adolescentes potencializadas pela condição de ser um vampiro. Como todo adolescente, Rowan está numa jornada de autodescoberta, se encontrando romântica e sexualmente; e também iniciando sua vida como sanguessuga com a má influência do tio que o incentiva a ceder à tentação e se jogar na jugular mais apetitosa que passar perto de suas presas. Clara, a jovem que, com o assassinato, dá o pontapé inicial em toda a trama, é jogada de lado e não se fala mais nela no filme. A trama tem o clichê do vizinho que desconfia dos vampiros e os investiga para provar que as mortes na comunidade são obras deles, mas essa subtrama também se perde na edição ruim e sequências desconectadas.
Sufocar os desejos mais básicos e abrir mão de algo em prol de um bem maior é uma questão existencialista excelente presente na história de “Os Radley”, porém ela é mal explorada no roteiro, que perde a chance de mergulhar nos anseios e dilemas dessa família.
“Os Radley” se apresenta como terror cômico, mas falha tanto em impactar quanto em fazer rir . Não há sequer uma pitada de humor ácido digna de nota, como por exemplo na série estrelada por Drew Barrymore, “Santa Clarita Diet”, onde um casal se transforma em zumbis e há uma ótima mistura de horror com boas piadas e drama familiar.