“O Melhor Amigo”: novo filme de Allan Deberton é musical à la Broadway com sotaque nordestino | 2025

Por essas bandas de cá não costumamos produzir musicais, ao menos para a tela grande. Gênero esse onde o cinema americano reina quase que isolado, muito provavelmente pela força que a Broadway tem naquele país. É bem verdade que nos palcos brasileiros musicais estão sendo produzidos aos montes e lotando teatros, seja em montagens enlatadas vindas de fora ou mesmo nascidas em solo brazuca. São muitos exemplos nascidos em solo tupiniquim e que vira e mexe retornam para os palcos: “Ópera do Malandro” e “Os Azeredo Mais os Benevides”, ambos com composições de Chico Buarque, e mais recentemente “Elis- A musical” e “Rita Lee- Uma Autobiografia Musical” são a prova de que musicais tem espaço na preferência nacional.
“O Melhor Amigo”, de Allan Deberton (do novo clássico do cinema nacional, “Pacarrete” – 2019), que é baseado no curta-metragem homônimo do diretor, lançado em 2013, expande a história do curta com mais personagens e situações. O tempero dessa vez é o formato musical, que dá todo um charme, uma vez que Deberton lança mão de clássicos dos anos 80 e 90 e que marcaram uma geração: Blitz, Gretchen, Herva Doce e Xuxa estão na trilha e com um sotaque nordestino irresistível, que vão norteando a trajetória de encontros e reencontros que a narrativa propõe.
A trama acompanha Lucas (Vinicius Teixeira), um jovem arquiteto desencantado com seu relacionamento atual com Martin (Léo Bahia), esse um tanto exagerado em demonstrações de amor. Em busca de um tempo para si, Lucas decide viajar sozinho para Canoa Quebrada, no Ceará. Contudo, ao invés de apenas aproveitar o cenário paradisíaco, ele reencontra Felipe (Gabriel Fuentes), uma antiga paixão da faculdade. Entre questões do passado ainda não resolvidas e novas possibilidades para o futuro, Lucas embarca em uma jornada musical que o leva a importantes descobertas sobre si mesmo.
Deberton aposta nessa adorável nostalgia musical, sobretudo dos anos 80, para embalar as venturas e desventuras na jornada de Lucas, uma espécie de herói romântico. A estética é nitidamente uma homenagem ao brega, o que dá uma personalidade interessantíssima ao projeto. “O Melhor Amigo” tem coadjuvantes e elenco de apoio tão adoráveis quanto o protagonista de Vinícius Teixeira, um jovem que acredita no amor mas que está perdido, acreditando que o amor do outro é a resposta.
Além da emblemática trilha o longa também tem aparições de artistas que marcaram as décadas de 80 e 90, como Cláudia Ohana, Mateus Carrieri e Gretchen. “Meu Melhor Amigo” é diverso, colorido, sexy e solar, uma aposta arriscada mas que funciona justamente por não se levar a sério. A mensagem, que nos diz sobre ser livre para poder buscar novos caminhos, vem junto com muito respeito à comunidade lgbtqiapn+ e num registro super bem humorado e repleto de identidade, coisas que só costumamos ver dentro do cinema regional.