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“Guerra Sem Regras”: Guy Ritchie encena com habilidade um retrato histórico de absurdos e improbabilidades | 2024

Eu preciso de um sobretudo desses

A História, cotidianamente escrita, é um fenômeno mutante. Elementos minimamente alterados surtem um efeito dominó que culmina em resultados que vagueiam entre as mais diferentes probabilidades. A arte, consciente disso, faz uso dessas indagações para promover debates quanto ao famoso “e se”, com apresentações como, por exemplo, a de “O Homem no Castelo Alto”, que idealiza os absurdos de uma vitória nazista na 2ª guerra, caso assim tivesse acontecido. Contudo, a realidade sozinha já rende ótimos exemplos de momentos em que um ato mínimo fez toda a diferença. No caso de “Guerra sem Regras”, a rebeldia de um corajoso grupo de heróis improváveis definiu o curso da humanidade dos últimos oitenta anos como a conhecemos, evitando a consumação de “O Homem no Castelo Alto” e culminando na realidade que temos hoje.

O diretor Guy Ritchie olhou para aquele esquadrão inusitado e decidiu fazer justiça aos riscos que correram, dinamizando as tensões diplomáticas de dentro de um campo de batalha cuja aparência pacífica e paradisíaca estava decorada por bandeiras nazistas que anunciavam a proximidade da vitória da guerra por Hitler. Dividindo núcleos e intensificando a imprevisibilidade da missão, o roteiro toma algumas decisões que simplificam a cadência dos fatos e poupa o público do ócio. Todo tempo de tela é relevante e bem trabalhado, de modo que cada nova informação agrega valores à narrativa por intensificar a relação de causalidade entre o grupo de assassinos liderado  por Gus March-Phillips (Henry Cavill) e a espionagem de Marjorie Stewart e Sr. Heron (Eiza González e Babs Olusanmokun).

O clã de brutamontes que sujaram as mãos com sangue para abrir caminho para os reforços estadunidenses não se parece em nada com as fotografias reais mostradas ao fim do filme. Mas o cinema é tão mutante quanto a História, aquela com H maiúsculo, e é plenamente permissível que absurdos físicos sejam vistos para representar os absurdos da realidade. Contudo, devo dizer que seria ainda mais interessante ver homens magrelos e franzinos cometendo aquelas atrocidades em vez de marombados consagrados da indústria. “Guerra sem Regras” diverte didaticamente e tem um ótimo ritmo. Um típico filme “Guy Ritchie”, que aos poucos vai criando seu próprio gênero e se estabelecendo cada vez mais como o ótimo contador de histórias mirabolantes que é.

Vinícius Martins

Cinéfilo, colecionador, leitor, escritor, futuro diretor de cinema, chocólatra, fã de literatura inglesa, viciado em trilhas sonoras e defensor assíduo de que foi Han Solo quem atirou primeiro.

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