“Família”: violência doméstica e seu reflexo nocivo no ambiente familiar é tema de longa italiano | 2025

Lançado na mostra competitiva do Festival de Veneza de 2024, o filme do diretor Francesco Costabile é uma perspectiva assustadora sobre a violência doméstica e os reflexos danosos para a vida e psique dos filhos. No enredo, Licia (Barbara Ronchi) tem dois filhos pequenos que passam a vida sofrendo as consequências da violência de seu pai, Franco (Francesco Di Leva). Franco tem acessos de violência com sua esposa e, em um dos episódios, é preso e levado para a cadeia. Os meninos crescem e enquanto o mais velho, Alessandro (Marco Cicalese), tenta andar na linha e trabalhar honestamente, Gigi (Francesco Gheghi) se junta a um grupo Neo Nazista e vê sua vida se deteriorar diante de crimes e lavagem cerebral.
Todo rodado em Roma, a visão do diretor foi de usar uma fotografia escura envolta em sombras e paleta de cores acinzentadas. O tom melancólico combina com o tema ameaçador que o roteiro insiste em pontuar durante toda a projeção: a violência que é uma ameaça palpável na vida desta família. A violência psicológica e física que o personagem Franco usa contra a família acaba sempre ameaçando a paz e o equilíbrio destas personagens. É como se a qualquer momento o público esperasse uma desgraça iminente, o que deixa a experiência absolutamente angustiante.
É interessante que Costabile está mais interessado em explorar o terror que a violência causa no psicológico e naquilo que não é dito, do que propriamente fazer o uso gráfico dela em seu filme. Não há cenas chocantes ou violentas, a escolha do que mostrar ao público é precisa no desenrolar do roteiro. E a ferramenta que este usa para simbolizar as raízes danosas que uma criação violenta pode gerar se concentra na subtrama de Gigi, um menino esperto que acaba se inclinando para uma identificação com um grupo extremista neo nazista, chegando inclusive a esfaquear um rapaz negro e a ser preso por 9 meses em uma penitenciária. É neste período de reinserção na sociedade que Fausto retorna e busca uma aproximação com Gigi para aos poucos estender seus tentáculos para retornar à casa onde moram sua esposa e seu outro filho.
O ator Francesco Gheghi consegue equilibrar vulnerabilidade e intensidade como Gigi, um papel que requer uma profunda entrega psicológica para funcionar. Junta-se a ele a performance assustadora de Francesco Di Leva, que imprime uma presença constantemente ameaçadora às cenas. Com uma constituição familiar quebrada por Franco, as personagens sofrem para organizar suas vidas e progredirem, já que como uma erva daninha, o pai dos meninos suga qualquer faísca de vida ou alegria que a mãe e os dois meninos possam ter. Com um final acachapante, “Família” é uma daquelas obras que você sai da sessão com um nó na garganta e uma historia universal que se comunica com tantas outras que você ouve falar por aí. É um alarmante relato de como a violência pode contaminar futuras gerações e corroer o tecido familiar.