“Novocaine: À Prova da Dor”: divertida mistura de comédia e ação com Jack Quaid é uma das boas surpresas da temporada | 2025

No mais novo filme de comédia e ação da temporada, “Novocaine – A Prova de Dor” (2025), o protagonista Nate (Jack Quaid) é um gerente de banco sistemático cheio de rituais para não se ferir. Ele possui uma doença rara chamada Congenital Insensitivity to Pain (CIP) que o impede de sentir qualquer dor; dessa forma, qualquer batida, queimadura ou fratura a que seu corpo possa ser exposto não terá nenhuma sensibilidade naquela região. Para sobreviver com esta condição, busca evitar se socializar ou até mesmo comer alimentos sólidos, já que pode muito bem morder sua língua e arrancá-la ao mastigar, uma vez que não a sentiria.
A vida milimetricamente calculada e envolta em uma redoma de proteção cai por terra quando conhece uma funcionária do banco chamada Sherry (Amber Midthunder). Ela é simpática, está interessada e intrigada por sua condição e é atraente, tudo o que Nate sempre esperou encontrar em sua vida.
O início do enredo divertido que mais parece uma comédia romântica, acaba pisando no acelerador quando um grupo de bandidos assalta o banco em que Nate e Sherry trabalham e a sequestram. Determinado a salvar a garota dos seus sonhos, ele terá que se envolver em uma série de pancadarias para achá-la e enfrentar o grupo de bandidos desastrados. Em seu benefício, vai poder se queimar, fraturar ossos, levar tiros, ou seja, um pacote completo de automutilação para alcançar seu objetivo. Cabe dizer que “Novocaine” não poupa nada em termos de cenas explícitas de violência e gore, o que o levou a obter uma classificação indicativa de 18 anos.
Grande parte do que faz o filme funcionar é o timing cômico e a composição de bom mocismo de Jack Quaid, cada vez mais especializado em transitar nas esferas da comédia e da ação, como pode ser conferido no sucesso do Prime Video, a série “The Boys”. Quaid, além de descender de nobrezas de Hollywood, já que é filho de Dennis Quaid e Meg Ryan, tem talento de sobra para emprestar seu carisma para papéis de perdedores, nerds e afins. Mesmo em papéis que precise mostrar uma certa vilania, consegue convencer, como fez recentemente no também divertido e perturbador “Acompanhante Perfeita” (2025).
O elenco coadjuvante também traz boas surpresas, como a própria Amber Midthunder, charmosa e descolada como Sherry, e o Ray Nicholson, sempre evocando sua semelhança perturbadora com seu pai Jack Nicholson, o que cai como uma luva no papel de um dos bandidos psicóticos que assaltam o banco. Jacob Batalon (dos filmes do Homem-Aranha) funciona como alívio cômico, apesar do reduzido tempo de tela aqui.
Outro destaque de “Novocaine” é a trilha sonora repleta de hits estrategicamente espalhados em cenas chaves, como a abertura que conta com “Everybody Hurts”, do REM, ou uma divertida passagem com a sempre empolgante “I Believe in a Thing Called Love” do The Darkness. Pode ser uma trilha cheia de obviedades, mas funciona bem no conjunto da obra.
“Novocaine: À Prova da Dor”, ao final do dia, traz uma diversão despretensiosa ao seu público, conta com uma premissa absurda, mas tem sua experiência alavancada pela atuação de Jack Quaid, a nova sensação de Hollywood desta geração. Eu me diverti à beça…